Fim da escala 6x1: o guia completo para a empresa, do calendário aos benefícios
A Emenda Constitucional 141 garante duas folgas por semana e reduz a jornada para 40 horas, em duas etapas. Este guia mostra o que muda, para quem, quanto custa e o que o RH precisa revisar antes de dezembro de 2026.

No dia 16 de outubro de 2026, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional 141, que acaba com a escala 6x1. É a primeira redução geral da jornada de trabalho no Brasil em 38 anos: a última foi na Constituição de 1988, quando o limite caiu de 48 para 44 horas por semana.
A mudança mexe em dois pontos do artigo 7º da Constituição. O trabalhador passa a ter dois dias de repouso remunerado por semana, um deles preferencialmente no domingo, e a jornada máxima cai de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário. A transição é gradual: primeiro 42 horas, depois 40.
Para a empresa, não é só uma notícia de Brasília. Muda a escala, o controle de ponto, o valor da hora, a convenção coletiva e tudo o que é calculado por dia trabalhado, inclusive benefícios como vale-transporte, vale-alimentação e vale-refeição. Este guia organiza o que já está definido, o que ainda depende de regulamentação e o que fazer agora.
O que a Emenda 141 muda
A escala 6x1 deixa de existir como modelo regular de jornada. No lugar dela, a regra geral passa a ser a 5x2: cinco dias de trabalho e dois de descanso. As folgas não precisam cair no fim de semana nem ser seguidas. O texto exige dois períodos de descanso de 24 horas, que podem ser em dias intercalados, como terça e quinta.
O limite de 8 horas por dia continua. Compensação de horários e redução de jornada seguem possíveis por acordo ou convenção coletiva, e o banco de horas e a hora extra continuam existindo dentro das regras da CLT. A mudança também alcança quem já trabalha de segunda a sexta: muita gente cumpre hoje 8 horas e 48 minutos por dia para fechar 44 horas, e essa jornada também vai diminuir.
Como fica a semana
↓ A partir de dezembro de 2026
O calendário da transição
A emenda não vale de uma vez. O texto dá prazo para empresas e trabalhadores se adaptarem, e a contagem começou na promulgação.
Qual é o dia exato em dezembro?
A emenda fala em dois meses depois da promulgação. A imprensa publicou 15 e 16 de dezembro, conforme a forma de contar o prazo. Na prática, o mais seguro é ter a escala nova pronta no começo de dezembro e confirmar a data com o jurídico ou a contabilidade.
Quem é afetado, e onde a mudança pesa mais
Em dezembro de 2025, o Brasil tinha 14,8 milhões de empregos com carteira assinada na escala 6x1, 29,9% dos vínculos formais, segundo dados do Ministério do Trabalho analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence. São 3 em cada 10 empregos formais do país.
A concentração varia muito por setor. No transporte aéreo e no alojamento, mais da metade dos empregados formais estava na 6x1; em eletricidade e gás, pouco mais de 10%. Por porte, micro e pequenas empresas tinham proporção maior de vínculos na 6x1, mas em número absoluto a maior parte estava nas médias e grandes, com 7,9 milhões de empregos.
Parcela dos empregos formais na escala 6x1
Em dezembro de 2025, por setor e por porte da empresa
Por setor
Por porte
Fonte: dados do Ministério do Trabalho e Emprego analisados pela 4intelligence, publicados pela Folha de S.Paulo em 16/10/2026.
No papel, 44 horas. Na prática, nem sempre
Um dado ajuda a dimensionar o efeito real da mudança: a jornada do contrato nem sempre é a jornada trabalhada. Pelos registros da Rais de 2025, 73,8% dos vínculos com carteira tinham contrato de 41 a 44 horas por semana. Mas, pelos dados do IBGE do primeiro trimestre de 2026, só 35,8% trabalhavam de fato essa quantidade de horas. A maior fatia, 39%, trabalhava de 31 a 40 horas.
Para o economista que fez a análise, isso indica que o efeito tende a ser menor do que parece no papel. Para a empresa, a lição é olhar a própria realidade antes de decidir: quem já opera com jornada efetiva abaixo de 42 horas tem uma transição mais simples do que quem roda seis dias por semana com a casa cheia.
Contrato e jornada de verdade
Empregados com carteira assinada
Fonte: Rais 2025, do Ministério do Trabalho, e IBGE, primeiro trimestre de 2026, em análise da 4intelligence publicada pela Folha de S.Paulo em 16/10/2026.
Como fica a jornada no dia a dia
Na etapa de 42 horas, as duas horas acima das 40 precisam ser distribuídas na semana. Divididas por igual em cinco dias, dão 8 horas e 24 minutos por dia. Na etapa final, a conta fecha em 8 horas por dia, cinco dias por semana.
Uma consequência pouco comentada: na transição, as horas que eram trabalhadas no sábado passam para os dias de semana e, dentro do novo limite, não viram hora extra. Acima do limite, a hora extra continua sendo paga como hoje.
| Hoje | Dezembro de 2026 | Dezembro de 2027 | |
|---|---|---|---|
| Jornada máxima por semana | 44 horas | 42 horas | 40 horas |
| Folgas remuneradas por semana | 1 na escala 6x1 | 2 | 2 |
| Horas por dia, em cinco dias | 8h48 para quem faz 5x2 com 44 horas | 8h24 | 8h |
Banco de horas e convenção coletiva
O banco de horas continua valendo, e as novas folgas podem entrar nele se houver acordo. Por convenção ou acordo coletivo, e de forma excepcional, a empresa pode ter um regime de compensação diferente da 5x2, desde que a compensação feche no mesmo mês e o trabalhador tenha folga ao menos uma vez a cada semana.
As cláusulas que falam em 44 horas deixam de valer em dezembro. A negociação com o sindicato precisa acontecer antes disso.
O valor da hora muda junto
Com 40 horas semanais, o divisor usado para transformar o salário mensal em valor da hora cai de 220 para 200. A mesma remuneração passa a valer mais por hora, e isso puxa junto a hora extra. O exemplo abaixo usa o salário mínimo atual, de R$ 1.621.
| Salário mínimo, R$ 1.621 | 44 horas (divisor 220) | 40 horas (divisor 200) |
|---|---|---|
| Valor da hora | R$ 7,37 | R$ 8,11 |
| Hora extra em dia útil (50%) | R$ 11,05 | R$ 12,16 |
| Hora extra no domingo (100%) | R$ 14,74 | R$ 16,21 |
O governo prepara um decreto para regulamentar pontos como esse, e a regra pode ganhar detalhes. Confirme o cálculo com a contabilidade antes da primeira folha de cada etapa.
Quem fica de fora ou tem regra própria
- Profissionais de alta renda: empregados com diploma de nível superior e salário igual ou maior que 2,5 vezes o teto do INSS, hoje R$ 21.188,87, não têm a redução de jornada obrigatória. A escala 5x2, com as duas folgas, vale para eles também.
- Serviços essenciais e atividades contínuas: hospitais, emergência, segurança, transporte coletivo e limpeza urbana podem manter escalas diferenciadas, como a 12x36, respeitando os descansos mínimos. O projeto do governo mantém a 12x36 negociável, desde que a semana não passe de 40 horas.
- Domingos e feriados: categorias autorizadas a trabalhar nesses dias continuam autorizadas, mas passam a ter duas folgas compensatórias por semana, em vez de uma.
- Categorias que já têm jornada menor: bancários, operadores de telemarketing e outros que já trabalham menos de 40 horas não têm nova redução nem terceira folga.
- PJ e autônomos: sem vínculo de emprego, não são alcançados diretamente pela regra.
- Terceirizados que prestam serviço ao poder público: a empresa tem 12 meses, e não dois, para acabar com a 6x1. Contrato aditado depois dos primeiros 60 dias já segue a regra nova.
- MEI, micro e pequenas empresas: a emenda prevê uma lei complementar com medidas de transição para esses negócios, que ainda depende do Congresso.
- Jornadas especiais, como plataformas de petróleo, transporte rodoviário e aeronautas: o governo quer aprovar regras próprias antes de a primeira etapa começar.
Quanto custa, e o que dizem os estudos
O custo depende de quanto a empresa precisa contratar ou reorganizar para cobrir o dia a menos. Um estudo do Ibre/FGV estima que o fim da 6x1 pode aumentar o custo do trabalho em 20% e reduzir em 2,9% a produção de riquezas do país, embora possa elevar o bem-estar de quem continuar empregado. Em setores muito formalizados, como o transporte aéreo, a expectativa é de mais contratações e repasse para os preços.
Do outro lado, a OIT aponta que 7 em cada 10 países que reduziram a carga horária ou adotaram jornada flexível relataram aumento de produtividade. No teste da semana de quatro dias na Inglaterra, com 70 empresas, 49% relataram produtividade maior e 46% mantiveram o mesmo nível. E, segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 70% dos empregos do país já estão em escalas diferentes da 6x1.
O governo anunciou que prepara linhas de crédito e programas de capacitação, com o Sebrae, para as empresas mais afetadas, sem detalhar valores nem condições.
O que o colaborador ganha com o dia a mais
Para quem trabalha, a mudança é sentida na rotina. Em pesquisa da fintech Meutudo com 6 mil pessoas, feita em março de 2026, 92% de quem trabalha ou já trabalhou na 6x1 disse acreditar que o fim da escala melhora a qualidade de vida.
O que mais pesa na escala 6x1, para quem trabalha nela
Respostas de quem está na 6x1
Fonte: pesquisa Meutudo com 6 mil pessoas, março de 2026, publicada pela Folha de S.Paulo em 16/10/2026.
Os planos para a folga extra se repetem nas reportagens: ficar com a família, cuidar da saúde, estudar e resolver o que não dá para resolver no domingo, como ir ao banco ou levar os filhos a consultas. Para o RH, é um bom momento para olhar os benefícios que a equipe usa fora do expediente, como academia e bem-estar e telemedicina, com esse dia a mais em mente.
O que muda nos benefícios
O texto da emenda fala de jornada e descanso, não de benefícios. Mas todo benefício calculado por dia trabalhado acompanha a escala, e quem sai da 6x1 passa a trabalhar um dia a menos por semana. Por isso, a revisão do pacote entra na lista do RH antes de dezembro.
Vale-transporte
O crédito acompanha os dias de deslocamento. Com um dia a menos de trabalho, a quantidade muda, e os critérios de concessão precisam ser revistos para a nova jornada.
Vale-alimentação e vale-refeição
Podem ser concedidos de forma integral ou proporcional aos dias trabalhados. A mudança de jornada nem sempre altera o valor: depende da política interna, da convenção coletiva e da forma de concessão.
Tudo que é pago por dia
Qualquer benefício vinculado aos dias efetivamente trabalhados pode precisar de um critério novo de cálculo, ajustado antes do fechamento da folha.
Antes de mudar valor ou critério
Confira a convenção coletiva da categoria: muitas definem como o vale-refeição e o vale-transporte são concedidos, inclusive por dia efetivamente trabalhado. Mudança feita sem olhar a convenção vira passivo trabalhista depois.
O que fazer antes de dezembro
Um roteiro em sete passos para o RH e o DP chegarem à primeira etapa sem susto:
- Mapeie quem muda.Quem está na 6x1 e quem cumpre 44 horas de segunda a sexta são os dois grupos afetados já em dezembro.
- Leia a convenção coletiva.Identifique as cláusulas de jornada, compensação, banco de horas e repouso que perdem efeito, e abra a conversa com o sindicato.
- Simule as escalas novas.Para as etapas de 42 e de 40 horas, pensando em picos de demanda, folgas aos domingos e reforço de equipe, com as lideranças operacionais junto.
- Atualize o ponto e a folha.Valor da hora, hora extra e descanso semanal remunerado dependem da carga horária. Revise com a contabilidade para não ter diferença na primeira folha de cada etapa.
- Revise os benefícios pagos por dia.Vale-transporte, vale-alimentação, vale-refeição e qualquer outro benefício calculado por dia trabalhado.
- Formalize com cada empregado.Registre a mudança de jornada e de escala por aditivo ou termo de ciência, conforme a orientação jurídica.
- Comunique com antecedência.Lideranças primeiro, depois as equipes, com mensagens por área ou turno e um canal oficial para as dúvidas.
A lei muda a escala em dezembro. O que a empresa decide até lá é se a mudança chega organizada ou no improviso.
O ponto de partida do checklist
Perguntas e respostas
A partir de quando a escala 5x2 é obrigatória?
A regra vale para quem já está contratado?
A empresa pode reduzir o salário junto com a jornada?
As duas folgas precisam ser no sábado e no domingo?
Quem já trabalha de segunda a sexta também muda?
O banco de horas acaba?
As horas do sábado viram hora extra durante a semana?
A escala 12x36 continua permitida?
Pequena empresa tem regra diferente?
O vale-refeição e o vale-transporte mudam?
A regra pode ser revertida depois?
Os benefícios da sua empresa estão prontos para a escala nova?
A Agiliza revisa com você como vale-transporte, vale-alimentação, vale-refeição e os demais benefícios são calculados hoje, e o que muda com a 5x2, antes de dezembro. Sem compromisso.
Fontes
- Agência Câmara: Congresso promulga emenda que acaba com escala 6x1 (16/10/2026)
- Agência Brasil: Fim da 6x1, saiba quando entra em vigor a nova jornada (14/10/2026)
- Agência Brasil: a evolução da jornada no Brasil (16/10/2026)
- g1: Escala 6x1 acabou. E agora? Perguntas e respostas (17/10/2026)
- Folha: Veja quando o fim da escala 6x1 começa a valer (16/10/2026)
- Folha: 3 em cada 10 empregos formais têm escala 6x1 (16/10/2026)
- Folha: pesquisas mostram ganho de produtividade (16/10/2026)
- Folha: governo quer regulamentar as jornadas especiais em 60 dias (16/10/2026)
- Folha: governo prepara crédito e capacitação para empresas (16/10/2026)
- InfoMoney: duas folgas por semana e o valor da hora (16/10/2026)
- Convenia: como o RH deve se preparar (15/10/2026)
- Ticket, blog Pessoas e Gestão: Fim da escala 6x1, como ficam os benefícios corporativos (01/10/2026)
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a orientação do seu jurídico ou da sua contabilidade.


